Capítulo 1 - Parte 2
Arco 1 (Segredo Obscuro)
Ashley: (espreguiçando)
Gabriel: Bom dia, dorminhoca.
Ashley: Moço! Você ainda está aqui?
Gabriel: É, eu estou. Olha, eu andei pensando para onde eu iria, e estou indo até a Reserva.
E como seus pais estão lá, acho que posso abrir uma exceção para te levar junto.
Narrador: Ashley fica feliz ao ouvir aquilo e me abraça. Dessa vez,
não achei tão desconfortável quanto na primeira vez, mas, depois de uns dez segundos, percebi que poderia retirar o que disse.
Gabriel: Criança, acho que você já pode me soltar agora.
Ashley: Uh... Ah sim, desculpa.
Gabriel: Hum, se apronte aí que em breve sairemos.
Narrador: Tá, vamos lá. Hora do plano. Não me arriscaria a sair torcendo pela sorte.
Fiz um plano, e uma das coisas que aprendi com os filmes,
é que em um apocalipse zumbi, a maioria das pessoas vai atrás de suprimentos,
como comida, água, kit de primeiros socorros, essas coisas.
Agora eu iria atrás de armamentos, qualquer coisa que pudesse usar para ficar mais forte e perigoso.
E como criminoso sabia onde ficavam todas as delegacias, e provavelmente, esses itens. E o plano que fiz foi o seguinte.
Exatamente às 7 da manhã saímos, parecia ser o horário mais calmo, ou pelo menos não tinha escutado tiro até então.
Era um quilômetro até a delegacia mais próxima, cerca de 15 minutos indo sem pressa.
Para termos uma visão primeiro, fomos nos esgueirando nas paredes,
fazendo isso até a chegada à delegacia. Chegando lá...
Gabriel: Ah, droga! Já vasculharam tudo.
Narrador: A delegacia estava de ponta-cabeça;
qualquer coisa que ali esteve, já tinha sido saqueada há algum tempo.
Ashley: Eu acho que nem tudo, moço.
Narrador: Colada à fita, debaixo de uma cadeira presa ao chão, Ashley tinha achado uma arma escondida. Fui verificar. Chegando mais perto, ouvi passos estranhos se aproximar. Quando olhei para o lado.
BUM!
[TIRO DE ESPINGARDA]
Gabriel: Argh (gemido de dor)
Marcelo: Mas que... (algo afiado batendo em um zumbi) (zumbi caindo).
Porra, garoto! Eu já falei pra você não sair atirando em qualquer pessoa. Às vezes é só gente feia mesmo.
Vamos, ajude esse homem. Temos que sair daqui. Você abriu todas as celas e está vindo um tanto de zumbis por aí.
(passos correndo e descendo escadas)
(passos andando na grama)
[sons de batidas de coração]
Marcelo: Ei moço (eco) moço - moço...
Você está bem (eco) está bem - bem...
Gabriel: O que aconteceu?
Marcelo: Você tomou um tiro.
Gabriel: (gemidos) Ahh, que dor de cabeça. Ashley! Cadê ela?
Marcelo: Ah, não se preocupe, ela está no andar inferior, está bem! Só estava com fome a bichinha viu?
Nunca vi uma garotinha comer tanto. É sua filha?
Gabriel: Não, não é não.
Marcelo: Ah sim, por ela ser moreninha né?
Gabriel: O quê?
Marcelo: Não é... Deixa quieto. Mó
comentário traiçoeiro racial.
Bom, eu deixarei você descansar agora.
(passos indo embora)
A propósito, meu nome é Marcelo, mas todos me chamam de Tio. Então, pode me chamar de Tio.
[porta abrindo]
[porta se fechando]
Narrador: E lá estava eu, deitado em uma cama. Estava em um quarto que parecia ser normal,
exceto por um quadro grande que tinha à direita. Me senti como se estivesse em uma delegacia,
e que logo viria um policial me interrogar,
enquanto outros ficariam atrás do quadro assistindo tudo. (risadinha)
Bom, se fosse isso, já estaria acostumado. Mas, parando de teorizar as coisas,
segui os conselhos do tio, e fui descansar, acabando assim, dormindo.
Depois de um tempo, levantei-me e fui ver o que estava acontecendo lá embaixo.
Saindo do quarto, percebi que estava certo, e que realmente tinha como ver quem estava dentro do quarto, por aquele quadro fake.
Marcelo: (voz aumentando gradualmente) Eu tô te falando cara, eu dei só pow e ele caiu.
Olha só quem apareceu. Já estava na hora hein.
Ashley: Moço!
Narrador: Ashley veio correndo e me abraçou.
Gabriel: (ain)
Narrador: Não foi o melhor momento, ainda estava me recuperando por causa do tiro.
Ashley: Oh, desculpe.
Gabriel: (voz sofrida) Tá tudo bem.
Narrador: Sentei-me à mesa, Ashley ao meu lado, e logo o tio chegou de avental e serviu a gente.
Trouxe carne, parecia ser churrasco. Peguei um pedaço e comi. De um jeito estranho, ele ficou me olhando,
e quando terminei, ele disse:
Marcelo: Então, o que você achou?
Gabriel: Eu estava com tanta fome que poderia comer qualquer coisa, mas não está ruim.
Narrador: E continuei comendo.
O que achei estranho era que o gosto não parecia ser de nenhuma carne de churrasco que tinha comido antes.
Comecei a achar que era porque tinha deixado passar um pouco do ponto. Então, comi sem reclamar.
Aliás, aquilo era comida, e eu era um hóspede com fome. Não poderia exigir muito. (depois de comer bastante)
Marcelo: Acho que não era só a garotinha que estava com fome hein. (hehe)
Gabriel: Ahm, ah, (risada de vergonha) é.
Olha, é... Eu queria agradecer você viu? Por ter alimentado a gente e por ter cuidado dos meus ferimentos também.
Foi bem legal da sua parte.
[passos]
Guilherme: Ah, o-oi... Então, você já está melhor?
Eu queria muito me desculpar por antes. Não quis atirar em você,
até porque foi na adrenalina. Sem ressentimentos?
Narrador: Ele disse, erguendo a mão. Pensando um pouco, vi que não tinha por que guardar mágoa dele.
Apertei sua mão, dizendo que estava tudo bem.
Marcelo: Arh, sobrinho, você poderia pegar o primeiro turno da noite hoje?
Estou muito cansado para vigiar os zumbis. Aí às três horas, trocamos.
Gabriel: Eu posso pegar o primeiro turno.
Marcelo: O quê?
Gabriel: Eu acabei de acordar mesmo, seria meio difícil eu dormir agora.
Marcelo: Ahn, tá bom.
Guilherme: Tio?
Marcelo: Não se preocupe, sobrinho.
Narrador: Colocando a mão sobre o meu pescoço e me guiando por um caminho,
o tio disse:
Marcelo: Olha, temos algumas regras por aqui, e uma delas, para você,
é não ter acesso a todas as salas. Por enquanto, e a sala em questão é aquela.
Narrador: Ele apontou para uma sala que, por fora, parecia o quarto onde eu tinha acordado,
só que com o imenso quadro, tampado.
Gabriel: Mas o que que tem lá?
Marcelo: Não se preocupe, você não precisa saber agora. Vamos.
Narrador: Ele disse, me levando até a parte mais alta da estrutura.
Marcelo: E é aqui que você deve ficar. O que você precisa saber é:
se você ver algum zumbi ou pessoa, deve alertar a gente. Entendeu?
Gabriel: Tudo bem, então eu vou fazer isso.
Narrador: Das 11 às 3 da manhã, fiquei pensando muito no que tinha naquela sala, que precisaria esperar para poder saber.
Espera, se em algum momento eu vou saber, o que poderia dar de errado se eu só espiasse?
(com a mão bem perto da maçaneta...) Não, isso poderia quebrar a confiança dele sobre mim.
[sons de gemidos roucos]
Gabriel: Mas, que porra foi essa?!
Narrador: Tá, eles não pareciam ser pessoas más, mas... Por que esconderiam algo que poderia emitir esse som?
Ah, quer saber, eles estão dormindo, né? Eu acho que ninguém vai notar se...
(tentativa de abrir a porta)
Gabriel: Ahm, óbvio, onde eles poderiam ter deixado a chave?
Narrador: Olhei para baixo pensando...
Gabriel: Hum, um tapete.
(Bem-vindo).
Gabriel: Hum, esse tapete não deveria estar na porta da frente? Ué.
Narrador: Estava meio torto. Fui ajeitar com os pés,
até que um barulho ecoou.
[som de chaves]
Narrador: Levantando o tapete, lá estava a chave. Meio óbvio para um lugar secreto, não? Tá, não vou reclamar.
[porta se abrindo] [Música de suspense]
(gemidos de pessoas)
Gabriel: Oh meu Deus, caralho.
(respiração ofegante de Gabriel, misturada aos gemidos ao fundo)
Narrador: Se não tivesse um coração forte, teria desmaiado nessa hora.
O que vi me deu pesadelos durante muitos dias.
Pessoas amarradas, usando camisas de força, com a boca costurada para que não pudessem gritar, e desmembradas.
Eu gemendo de pavor, enquanto saía do quarto, até que...
Marcelo: Não queria que você tivesse visto isso.
(som de coronhada) [som do Gabriel caindo no chão]